O mercado da música e o video

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Banda

Olá a todos.

Hoje vamos falar de música. De músicos, de bandas, de folclore, de música pimba e por aí fora. Agora mais a sério, vamos falar um pouco sobre o mercado da música, sobre o seu contexto actual, e sobre a mutação que os videoclips tradicionais estão a ter nos dias que correm.

Indo muito directo ao assunto (como as autoestradas Espanholas, sem portagens), é difícil ser-se músico em Portugal. Para começar, a cultura é olhada de cima para baixo no contexto actual em que os nossos Países se encontram. Obviamente, aliado a uma fraca aposta educativa em disciplinas que fomentem a criatividade (educação musical deveria ser muito mais do que tocar uma flauta, não acham?), não se augura nada de bom em termos artísticos e culturais neste País.

De qualquer forma, os corajosos que decidiram, muitas vezes pelas próprias mãos e com os próprios meios, atirar-se ao estudo da música, deparam-se com um mercado em francas dificuldades e em necessidade de reestruturação. Sendo um meio artístico, muitas vezes olha-se para o músico não no sentido profissional, mas no sentido do hobby. “Ah e tal, eles não fazem isto para viver, é só diversão”… Mas tenho a certeza que muitos só deixam a coisa no “hobby” porque são obrigados a fazê-lo pelo mercado. E pegando no mercado (fora os grandes artistas que por vezes estão no sítio certo, à hora certa, com as pessoas certas), muitas bandas acabam por dividir o seu tempo entre concursos de bandas (onde para evitar o tabu da remuneração se oferecem prémios de participação), bares (em que por vezes o maior pagamento é um prato quente) e um ou outro festival ocasional. Se é certo que quem corre por gosto não cansa, a verdade é que ninguém vê um médico a trocar uma consulta por um bitoque. Estamos claramente perante uma situação de subvalorização da posição do músico na sociedade, o que obviamente se reflecte na vissicitude do mercado cultural, nomedamente da música.

Mas críticas sociais à parte, justamente, num mercado que não valoriza o músico como os outros profissionais, nem sempre é só pela música que os artistas se conseguem destacar e dar o salto para aquele patamar onde a música começa a render algum dinheiro (onde reinam as produtoras, as editoras, as promotoras..). Tal como as empresas, que muitas vezes têm produtos fenomenais mas não sabem comunicá-los devidamente ao público alvo (como falámos num artigo passado), a música às vezes também se resume à imagem. Afinal de contas, o marketing é transversal a todos os mercados e aos mais diversos contextos. Mas claro, como podem muitas destas pessoas, cujo equipamento atinge facilmente os milhares de Euros, investir na sua “roupagem”, quando não existe uma aposta justa e real no seu trabalho?

Na verdade, existem cada vez mais soluções no mercado para ultrapassar as barreiras financeiras, e às vezes apenas basta tempo e criatividade. Uma página no Facebook é gratuita e um canal no Youtube também. Não há câmara de filmar? Não faz mal. Os telemóveis hoje em dia já filmam! E também tiram fotografias! E também têm microfones! O céu é o limite: entrevistas, teasers de concertos, mensagens para os fãs, cobertura das gravação do album ou EP, etc.

De qualquer forma, a necessidade de promoção a baixo custo é tão grande (e é vista como um elemento tão impulsionador), que muitos artistas já começaram a transformar os videoclips clássicos (e que custam uma fortuna) nas chamadas “live sessions”. E o que são “live sessions”? São gravações em video, ao vivo, de um ou mais temas. Com simplicidade, mas com bom gosto. Em casa, na sala de ensaio, na rua, na praia, no jardim.. No fundo, é uma performance, às vezes sem audiência e cuja finalidade é chegar ao grande público, essencialmente através da web. É, portanto, uma espécie de “concerto de bolso” gravado, um elemento extremamente importante para o portefólio de qualquer artista. E acreditem, isto às vezes vale bem mais do que muitos videoclips que se fazem por aí, especialmente tendo em conta a relação qualidade/preço que se consegue alcançar.

Em baixo lanço dois nomes emergentes da música nacional, os Best Youth e os Moe’s Implosion, que apostaram neste formato.

Mais uma vez, puxando a brasa à minha sardinha (pelo número de sardinhas já deve ter ultrapassado o quilo), o video é um aliado de luxo dos artistas na sua promoção e preparação para voos mais altos. Mas o videoclip tradicional está em mutação, pela força dos tempos. Está a forçar novas abordagens e formas de enfrentar a crise, com criatividade, e a baixo custo. Também na música, eis a ascensão do webvideo.

Até à próxima semana,
Ricardo Constantino

fonte:
http://www.shortfuse.pt

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