O Chromecast leva vídeos da Internet ao televisor de forma simples e económica

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Alguma vez ouviram dizer que a informação quer-se livre? Pois bem, aqui têm um corolário: “A televisão quer-se à la carte.”

 

Veja-se a história da loja iTunes. No momento em que alguém ofereceu a possibilidade de se comprarem canções individualmente, o mundo mudou para sempre. Olá, música à la carte. Adeus, Tower Records.

Agora é a vez da televisão por cabo.
Fazemos parte de um grande movimento da sociedade civil e estamos a testar se esse negócio, ou qualquer negócio assim concebido e dedicado, pode durar muito tempo. O número de pessoas que cortam o cabo ou cancelam o satélite ainda é pequeno – talvez um por cento anualmente. Mas as alternativas online à televisão por cabo estão a aumentar. E quando se tornar simples e fácil transmitir
vídeo de internet dos nossos portáteis e telefones ao televisor, bem, o termo “drama televisivo” vai adquirir todo um novo significado.

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E, de facto, isso acaba de acontecer. O novo dispositivo Chromecast da Google é a forma mais compacta, simples e económica de adicionar Internet ao seu televisor. Parece uma pen corpulenta, ou talvez um porta-chaves gordinho – e custa 35 dólares, cerca de 26 euros (isto NÃO é uma gralha). Então o que é que ele faz? Se tivermos uma rede wi-fi sem fios em casa, o Chromecast pode fazer duas proezas muito úteis.
Proeza n.º 1: Permite-nos ver vídeos do YouTube, Netflix e Google Play (a loja de cinema e televisão da Google para dispositivos Android) no nosso ecrã grande. Utilizamos o telefone ou tablet (Apple ou Android) como telecomando.
Proeza n.º 2: O Chromecast apresenta páginas da internet no televisor, transmitindo-as a partir do navegador Chrome do Google no seu Mac ou PC. E já voltarei a este assunto.
Os vídeos promocionais da Google retratam uma fantasia de facilidade: uma mão introduz o Chromecast numa entrada HDMI na arte de trás de um televisor de ecrã grande, fazendo um clique como uma chave a entrar numa fechadura. E, de repente, tudo o que há de bom na Internet parece ser visionável nesse televisor, para gáudio de muitos jovens, atraentes e multiétnicos couch potatoes.
Os vídeos omitem o facto de o Chromecast precisar de energia. Podemos ligá-lo a uma tomada de corrente ou a uma entrada USB do próprio televisor mas, seja como for, o resultado não é tão “sem fios” como os anúncios fazem crer. No entanto… são 35 dólares, lembram-se?
A seguir, transferimos um programa de configuração, fazemos as apresentações à nossa rede Wi-Fi, baptizamos o nosso Chromecast, etc. O processo de configuração completo leva cerca de cinco minutos e qualquer criança o consegue fazer. (Os adultos podem levar um bocadinho mais.)
Para executar a proeza n.º 1, abrimos a aplicação YouTube, Netflix ou Google Play no nosso telefone ou tablet e escolhemos um vídeo. Aparece no canto do ecrã táctil um ícone especial que se assemelha a um rectângulo com ondas de sinal wi-fi. Para começar a ver esse vídeo no televisor, toca-se com o dedo nesse ícone e escolhe-se o nosso nome de Chromecast.
Na verdade, o telefone não está a transmitir coisa nenhuma. O Chromecast vai buscar o vídeo directamente à Internet, e nós só utilizamos o telefone ou o tablet para encontrar o filme e controlar a sua reprodução. Até é possível regular o volume utilizando as teclas físicas de volume laterais.
A boa notícia: isto significa que podemos fazer outras coisas no telefone ou no tablet durante a reprodução, como trabalhar noutra aplicação ou até mesmo desligá-lo.
A má notícia é que o telefone/tablet é o único telecomando que temos. Portanto, se quisermos interromper a reprodução, andar para trás ou tirar o som do vídeo, temos primeiro de o encontrar, ligar, introduzir a palavra-passe (se necessário) e, por fim, reabrir a aplicação que está a fazer a reprodução – o que não é particularmente simpático. Nos dispositivos Android, ao menos o botão Pause aparece logo no ecrã de bloqueio. Não é preciso desbloquear o dispositivo e reabrir a aplicação.
De resto, tudo isto é muito simples e funciona bastante bem. Mesmo que já tenha o Netflix e o YouTube no seu televisor, porque estão integrados nele ou no leitor Xbox, TiVo ou Blu-ray, talvez prefira o Chromecast: é muito mais fácil procurar vídeos, graças ao teclado em ecrã e ao reconhecimento de voz. Também pode marcar vários vídeos para serem reproduzidos uns a seguir aos outros. Isto é especialmente prático para os vídeos do YouTube, que não são propriamente épicos em termos de extensão.
Por outro lado, o Netflix e o YouTube não são grande coisa. Caixas rivais, como a Apple TV e a Roku, podem fornecer muitos outros serviços de internet pagos e gratuitos ao seu televisor, como vídeo iTunes, vídeo Amazon Prime, HBO Go, Hulu Plus, Vudu, Vimeo, Spotify, Flickr, ESPN e Major League Baseball TV, entre outros.
Felizmente, a Google diz que estão a caminho mais serviços. A rádio Pandora, por exemplo, será dos primeiros a chegar. Hulu Plus, Vimeo, Redbox Instant, AOL e oito outras empresas também já anunciaram essa intenção. Além disso, talvez não tenha de ficar com insónias por causa da espera, graças à proeza n.º 2: a capacidade de transmitir páginas de internet ao seu televisor a partir do seu Mac ou PC.
Basta iniciar o navegador Chrome, abrir a página pretendida e clicar no pequeno ícone Chromecast na barra de ferramentas. A página aparece agora no ecrã do televisor, com todos os vídeos que quiser reproduzir. Agora pode sentar-se no sofá, com o portátil à sua frente e utilizar o serviço de internet que quiser: Hulu, MLB, HBO, etc.
Por mais que estes serviços tenham tentado confinar os seus vídeos aos ecrãs de computador, o Chromecast liberta-os no nosso televisor. Com uma excepção: o Chromecast não gosta do formato QuickTime e não envia o áudio, só o vídeo. Assim, não poderá reproduzir vídeos, por exemplo, da página de trailers de filmes da Apple. Hélas, a proeza n.º 2 não é tão sofisticada nem tão bem sucedida como a n.º 1. Não admira que a Google tenha rotulado esta funcionalidade como “beta”.
Aqui, estamos realmente a enviar áudio e vídeo do nosso computador através do ar. Portanto, só funcionará bem se tivermos um computador potente e moderno e uma rede Wi-Fi rápida e desatravancada. E, mesmo assim, há um atraso de um segundo entre a reprodução no portátil e no televisor.
A imagem também nem sempre é tão nítida como na proeza n.º 1, e há quem diga ter sentido cortes ocasionais no vídeo e no áudio.
Muita gente diz que o Chromecast é a resposta da Google à Apple TV, Roku 3 e Plair, que são caixas de plástico compactas que também transmitem vídeo de Internet de alta definição ao televisor – mas custam 100 dólares. A verdade é que não há comparação possível. Estes dispositivos são bastante mais ambiciosos. Têm os seus próprios telecomandos e menus em ecrã, pelo que podemos utilizá-los mesmo que não tenhamos um telefone ou um computador. Além disso, utilizam muitos mais serviços de internet. A Apple TV também pode apresentar fotografias e vídeos a partir de um iPhone ou iPad.
A Apple TV pode igualmente projectar seja o que for a partir do ecrã de um Mac, e não só páginas da internet – um facto muito apreciado por professores e demais utilizadores do PowerPoint do mundo inteiro. Porém, embora muita gente não o saiba, o Chromecast também pode.
No navegador Chrome, se clicarmos no ícone Chromecast, aparece um menu em que um pequeno triângulo com o vértice virado para baixo disponibiliza o comando “Cast entire screen (experimental)”. E não há dúvida de que transmite todo o ecrã do nosso Mac ou PC ao televisor, tornando o Chromecast muito útil em salas de reuniões, salas de aula e quartos de hotel. Pode ser experimental e não transmitir áudio mas, de resto, funciona lindamente. Como é evidente, a Apple TV funciona essencialmente com produtos Apple. Não funciona com Windows e com Android, a não ser com software adicional (ou o iTunes para Windows) e um pouco de paciência. Neste aspecto, o Chromecast é um pouco mais flexível.
E, pelo amor da santa, custa 35 dólares!
Já é um bom preço para aquilo que faz, e será melhor ainda à medida que forem sendo desenvolvidas mais aplicações de vídeo dedicadas.
Não olhem agora, mas há um corolário do corolário: a televisão quer-se à la carte, mas o vídeo de Internet quer-se Chromecast.
Tradução: Maria Eugénia Colaço

©2013 The New York Times. Distributed by The New York Times Syndicate.

 

http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/o-chromecast-leva-videos-da-internet-ao-televisor-de-forma-simples-e-economica-1602474

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