Uma portuguesa no “The Guardian” – edição de video, motion graphics e animação gráfica !

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Mariana Moura Santos nunca se acomodou. Investiu sempre em formação, mesmo quando isso implicou sacríficio pessoal. Hoje integra o dream team que faz os gráficos interactivos do jornal britânico.

Maria Martins (www.expresso.pt)
Estas fotos de Mariana foram tiradas durante a sua "tournée" por Buenos Aires

Estas fotos de Mariana foram tiradas durante a sua “tournée” por Buenos Aires

Esta algarvia é o exemplo de quem arrisca sair da zona de conforto para procurar melhores oportunidades. Começou a fazê-lo aos 17 anos, quando veio estudar para Lisboa, e nunca mais parou. Enquanto frequentava dois cursos, treinava natação no Sporting, passou pelos “Morangos com Açúcar” e pelo “Curto Circuito”. Quando chegou a hora H, e perante a falta de oportunidades em Portugal, tosquiou cães e vendeu o carro para pagar um curso na Suécia. E foi a meio de uma entrevista para um trabalho da escola, que foi contratada para integrar o Interactive Team, do jornal inglês “The Guardian”. Nesta entrevista, conta como chegou a um emprego com que nem sequer se atrevera a sonhar.

Porque veio para Lisboa fazer o 12º ano se o podia ter feito no Algarve?

Para me preparar para a universidade. Logo na primeira viagem de Metro fui multada, porque não sabia que o bilhete de 7 dias também tinha de ser picado. Em Lisboa tive de aprender a fazer tudo sozinha, andar de transportes públicos, defender-me de alguns assaltos, e cozinhar. Fiz o 12.º ano de Ciências e Matemáticas, mas em paralelo, também as disciplinas de Arte, pois ainda não decidira se seguiria Genética ou… Artes.  

Quando optou por Design de Comunicação, já tinha a certeza que era o que desejava seguir?

A minha primeira escolha foi Escultura, onde durante um ano parti mais do que construi, de tal forma, que fiquei conhecida como Mariana Parte Tudo… Mudei para Design de Equipamento, mas entretanto, percebi que a minha qualidade principal era comunicar, e comecei a bisbilhotar as aulas de Design de Comunicação. Acabei por fazer o 3.º ano de Design de Equipamento, ao mesmo tempo que fazia as disciplinas que me faltavam do 2.º ano de Design de Comunicação. Os professores achavam-me louca, mas pelo menos eu estava na área que queria.

Porque escolheu Saint-Étienne, para fazer Erasmus?

Desde que entrei na universidade, que queria ir estudar para fora e ter contacto com outras culturas e outras maneiras de aprender e ensinar. Como não era aluna de 20, mas alguém que gostava de fazer muitas coisas e ter muitas referências diversificadas (era nadadora de alta competição, fui apresentadora do “Curto Circuito” por um dia, atriz nos Morangos com Açúcar, hospedeira de eventos…), só consegui ir para Erasmus no último ano. Candidatei-me à Finlândia e Saint-Étienne.

O que aprendeu com essa experiência?

Foi a primeira vez fora de Portugal por mais de um mês, a ter de me virar sozinha em tudo – desde arranjar casa, abrir conta, aprender francês… Chorei muito ao telefone, mas cresci muito também. De tal forma, que pedi uma extensão e fiquei mais seis meses, sozinha. Foi um período que me permitiu refletir sobre a minha vida e o que queria fazer dela. Percebi que gosto de passar por estes tempos difíceis, pois saio deles mais forte e preparada para enfrentar qualquer tipo de adversidade. Decidi então escrever um livro, dedicado a todos os colegas que diziam não querer ir para fora, porque dava muito trabalho. Apresentei o projeto à Reitoria da Universidade de Lisboa, que me ajudou, e foram impressos 2 mil exemplares do livro “Se não acreditas em ti, acreditas em quê?”.

Como passa do Erasmus em França para o primeiro emprego em Berlim?

Durante uma visita a Berlim, candidatei-me a algumas agências e fui contratada logo na primeira entrevista, na Universal Music, para o departamento de Design e Motion Graphics. Apesar de a entrevista ter sido com o CEO da empresa, encarei-a como um treino, nunca acreditando que me contratassem. Correu tão bem, que ele propôs-me começar na semana seguinte. Mas consegui negociar mais uns meses, de forma a terminar o curso.Entrei para a Universal como designer gráfica, para ilustrar capas para CD. Ia cheia de vontade de chegar aos calcanhares de capas como as dos Pink Floyd, mas rapidamente me passaram compilações da Universal para vender nos supermercados Lidl. Comecei a sentir que estava a desaprender.

Foi nessa fase que passou para a produção de filmes?

Como trabalhava até tarde na edição das capas, todos se iam embora, menos o editor de vídeo. Aproximei-me dele e propus-me ajudá-lo, pois estava sempre cheio de trabalho. Ao fim de um mês, trabalhava mais oito horas além do meu horário, e estava a fazer showreels para a Mariah Carey, para o Mika e para a Adidas. Foi este colega que me abriu o caminho para os motion graphics!

Porque abandonou Berlim?

Estava a trabalhar com o apoio do Programa Sócrates, e quando terminou, a Universal propôs-me 200 euros por mês para ficar, quando, em duas semanas, eu tinha completado projectos de mais de 100 mil euros para eles! Expliquei-lhes que não aceitaria porque tinha saído de Portugal para não ganhar apenas mil euros. Não foi uma decisão fácil, mas acho que foi a melhor. Se não formos nós a valorizar-nos, ninguém o fará!

Como foi o regresso a Portugal?

Estive um ano à procura de emprego. Nas entrevistas com as melhores agências de publicidade, percebi que quem me entrevistava não tinha vontade em ensinar e ajudar-me a crescer. Era deste tipo de mentalidade que eu andava a fugir, e depois da excelente experiência de partilha de conhecimentos em Berlim, nem por nada eu ia entrar nesse ciclo vicioso – preferia ir tosquiar cães para o Algarve. E foi o que fiz. Durante seis meses fiquei em Lisboa. De manhã fazia cursos de Ilustração e de Design Gráfico, oferecidos pela Universidade de Belas Artes, e à tarde, aprendia a tosquiar cães e gatos.

Entretanto, resolvi que precisava de mais educação a nível digital, que me queria misturar outra vez com culturas diferentes, e candidatei-me a uma escola de digital media em Estocolmo. Como o curso custava 20 mil euros, vendi o carro, trabalhei de manhã à noite a tosquiar cães no Algarve e pedi uma ajuda mínima ao banco.

Acreditou que a Hyper Island poderia mudar a sua vida?

Não sabia se ia mudar a minha vida, mas sabia que eu iria mudar de vida. Fui uma das 40 seleccionadas entre 500 candidatos e o curso foi interessante e intensivo. Como estava a sair de uma relação longa, dediquei-me a ele a 200%, trabalhando noite e dia, como se não houvesse amanhã. Passado um ano, já tinha propostas para me juntar a diversas agências de publicidade. Mas naquela fase, preferia trabalhar em tecnologia. Foi assim, que num projecto de curso sobre o futuro da tecnologia online, decidi entrevistar os melhores, e cheguei ao “The Guardian”.

Foi nessa entrevista que surgiu a proposta de trabalho?

Depois de duas horas em skype com o director de tecnologia, apaixonei-me pela sua entrega, simpatia e dedicação, e ele, vendo o meu entusiasmo, perguntou-me se eu não queria ir trabalhar com ele. Nem queria acreditar no que me estava a acontecer! Para não perder a embalagem do primeiro ano em Hyper Island, decidi trabalhar um mês durante o Verão. Ofereceram-me o salário mínimo, consegui ficar em casa de um amigo (sem ele nunca teria conseguido ir para Londres, pois alugar casa é muito caro!) e o meu primeiro trabalho foi a visualização gráfica dos dados da Wikileaks… No final desse mês, propuseram-me ficar. Aceitei e terminei o mestrado por skype e por email.

Como tem corrido a experiência no The Guardian?

Sou designer de interface e experiência de utilizador, e de animação gráfica. Trabalho com pessoas espectaculares e tenho a sorte de ter um grande chefe, que mais do que um líder criativo e profissional, o considero como um irmão mais velho. Somos uma dupla que funciona, de tal forma, que andamos a fazer palestras e workshops em Buenos Aires e no Rio de Janeiro.

E qual é o próximo passo?

Estou muito feliz pelo rumo que o meu percurso tomou e preparo-me para novos voos. Pretendo formar a América do Sul, no que diz respeito a news e tecnologia. Quero fazer a minha mini-conquista do Brasil, e criar um sistema educativo progressivo e construtivista, baseado na experiência que tive na Suécia. Terei mais novidades em breve.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/uma-portuguesa-no-the-guardian=f752955#ixzz276Qgh8Hu

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