Um breve histórico de como o YouTube ganhou a internet

Um breve histórico de como o YouTube ganhou a internet

O YouTube foi lançado em versão beta há dez anos, em maio de 2005, e desde então se tornou sinônimo de vídeo online, assim como Google é sinônimo de buscas na web. Vamos aproveitar a ocasião para relembrar como tudo começou.

A ideia para o YouTube veio em janeiro de 2005, segundo o Mashable. Dois ex-funcionários do PayPal – Chad Hurley e Steve Chen – participavam de uma confraternização na nova casa de Chen em San Francisco. Eles gravaram alguns vídeos, mas perceberam que não havia como compartilhá-los. Os arquivos eram grandes demais para enviar por e-mail, e colocá-los na web daria muito trabalho.

Em 2002, Hurley e Chen receberam uma boa grana quando o PayPal foi comprado pelo eBay por US$ 1,54 bilhões. Assim, eles resolveram usar esse dinheiro para criar um site de vídeos. Em 14 de fevereiro de 2005, eles se uniram a Jawed Karim – também ex-funcionário do PayPal – para começar a criar o YouTube.

Karim diz que tinha seus motivos para criar um site de vídeos. No início de 2004, quando Janet Jackson mostrou um dos mamilos durante o Super Bowl, todo mundo comentava sobre o incidente, mas era impossível encontrar um vídeo disso na internet. E no final do ano, um tsunami atingiu a Indonésia: Karim acreditava que havia muitos vídeos do desastre, mas nenhuma forma de acessá-los.

É ele quem protagoniza o primeiro vídeo do YouTube: “Eu no zoológico” foi postado em abril de 2005.

O início

Em maio, o site foi inaugurado em versão beta:

Google

Na época, já existiam inúmeros sites para compartilhar vídeo. Julie Supan, diretora de marketing no início do YouTube, diz ao Mashable que havia cerca de 280 outros sites parecidos, e muitos deles surgiram antes: “nós basicamente fomos os últimos no mercado”.

No entanto, os outros sites eram muito difíceis de se usar. No YouTube, você não precisava se preocupar com o codec do vídeo: de um jeito ou de outro, ele seria convertido e reproduzido em Flash.

O site também exibia o número de visualizações de cada vídeo, dando incentivo para conteúdo mais popular. E o YouTube permitia incorporar vídeos em outros sites, permitindo-o ganhar popularidade graças ao MySpace, a grande rede social da época nos EUA.

A interface também era mais simples. No início, ela era terrivelmente simples: “o produto era tão primitivo que você não podia nem mesmo escolher quais vídeos assistir. Em vez disso, o site escolhia os vídeos para você, aleatoriamente. E como havia pouquíssimos vídeos, eles eram sempre os mesmos”, disse Karim em 2007.

Por causa disso, Karim preencheu o YouTube com vídeos de 747 decolando e pousando. O YouTube até veiculou anúncios em outro site oferecendo dinheiro para mulheres – US$ 20 por cada vídeo enviado. Ninguém respondeu.

Ímpeto

Em setembro de 2005, o YouTube viveu seu primeiro sucesso viral. Era o vídeo abaixo, da Nike, com o Ronaldinho:

Este foi o primeiro vídeo a ultrapassar um milhão de visualizações no YouTube, um marco considerável há dez anos – quando a banda larga era muito menos acessível.

O YouTube só saiu do beta em dezembro de 2005, depois de receber um investimento de US$ 3,5 milhões da Sequoia Capital. Isso os permitiu investir em servidores e aumentar sua largura de banda.

Wayback Machine

Nessa época, o site já enviava 8 terabytes de dados todo dia pela internet – o equivalente, Hurley observou, de todo o conteúdo de uma loja da Blockbuster.

No mesmo mês, o YouTube recebeu o vídeo Lazy Sunday, exibido no programa de TV Saturday Night Live. Ele transformou o ator Andy Samberg em uma estrela, e atraiu mais de um milhão de visualizações.

Por causa dele, o site lidou com seu primeiro problema de violação de copyright. Em fevereiro de 2006, o canal americano NBC pediu ao YouTube que removesse “Lazy Sunday” e outros 500 clipes protegidos por direitos autorais. (O vídeo voltou ao YouTube, mas não está disponível fora dos EUA.)

Mas o site não perdeu seu ímpeto. Em 2006, o site passou a fazer parte da cultura popular nos EUA: o programa matinal Good Morning America começou a dedicar um segmento para vídeos virais no YouTube.

Foi quando surgiu o Evolution of Dance, reunindo as danças mais populares nos últimos 50 anos. Até 2010, ele era o vídeo mais assistido do YouTube, com 131 milhões de visualizações.

Alguns meses mais tarde, um suposto videoblog de uma menina adolescente chamada Lonelygirl15 se tornou um enorme sucesso e foi capa da revista Wired. Na verdade, tudo era um show roteirizado feito para o YouTube pela empresa Hollywood Creative Artists Agency.

Em janeiro de 2006, o YouTube recebia 15 milhões de visualizações por dia. Em março, o número saltou para 40 milhões. Em junho, atingiu 80 milhões.

Compra pelo Google

Claro que isso atraiu o interesse de muitas empresas: Google, Yahoo, Microsoft e News Corp (então dona do MySpace) fizeram propostas para adquirir o YouTube. Bill Gates se disse “encantado” pelos números do site.

Em setembro de 2006, Hurley e Chen se encontraram com executivos do Yahoo em um restaurante fast-food. No dia seguinte, eles voltaram ao local, desta vez com Larry Page e Eric Schmidt, do Google – e o acordo foi fechado.

O YouTube foi adquirido por US$ 1,65 bilhões, chamado pelo Google de “o próximo passo na evolução da internet”. O negócio foi anunciado em outubro, quando o site ostentava mais de 700 milhões de visualizações por semana.

O sucesso do YouTube também era um problema: ele não tinha propagandas, e precisava lidar com altos custos de tráfego. Em abril de 2006, um rumor na Forbes dizia que a empresa estava em apuros, gastando US$ 1 milhão por mês sem gerar receita. Chen distribuía essa despesa em cada vez mais cartões de crédito – mas o Google podia facilmente pagar por isso.

O Google também começou a implementar medidas para apaziguar os detentores de direitos autorais, que poderiam processar o YouTube e acabar com o serviço. Pouco depois da aquisição, o site eliminou mais de 30.000 clipes protegidos por copyright.

Greg Kostello, que comandava o serviço rival de vídeos VMIX, diz ao Mashable que o YouTube publicava material com direitos autorais de propósito, para crescer e ser vendido para uma empresa maior, que poderia lidar com os desafios jurídicos. “O dinheiro infinito do Google fez toda a diferença no mundo”, diz ele.

Quando a Viacom processou o YouTube em 2007, ela alegava que “a presença de material que infringe direitos autorais está totalmente destinada… a aumentar o tráfego e aumentar o tamanho, participação de mercado e valor do YouTube”. (Google e Viacom chegaram a um acordo extrajudicial em 2014.)

Para evitar mais acusações do tipo, o Google criou o Content ID para o YouTube: uma forma de identificar material com copyright, e permitir ao detentor dos direitos autorais decidir o que fazer – removê-lo, receber a receita de anúncios, ou permitir que o vídeo permaneça online.

Crescimento

Tudo isso poderia ter reduzido o crescimento do YouTube, mas não foi isso o que aconteceu. Desde então, ele se tornou o terceiro site mais popular da internet, atrás apenas do Google e Facebook, segundo o ranking do Alexa.

Como isso aconteceu? Bem, em 2007 o YouTube lançou seu Programa de Parceria, para que criadores de vídeos fossem pagos por seu conteúdo viral. Isso estimulou o envio de vídeos originais, aumentando o tráfego do site de forma legítima.

Os vídeos virais também tiveram um enorme papel nisso. No mesmo ano, este clássico – uma criança mordendo o dedo de seu irmão e depois sorrindo – era enviado ao YouTube:

Em 2007, o YouTube passou a inserir anúncios nos vídeos: na época, eram banners semitransparentes que apareciam na parte inferior, cerca de 10 a 15 segundos após começarem. Era um caminho para que o site se tornasse sustentável no longo prazo.

Em 2009, o Google fechou uma parceria com empresas de música – que se queixavam de pirataria no YouTube – para continuar distribuindo seu conteúdo no site: assim nascia o serviço de música Vevo. Como parte do acordo, o YouTube tinha permissão de exibir videoclipes de grandes gravadoras.

O YouTube cimentou sua posição como líder em vídeos na internet com o sucesso de Gangnam Style, que atingiu 1 bilhão de visualizações em dezembro de 2012. O vídeo se tornou tão bem-sucedido que o Google precisou mudar o algoritmo que conta as visualizações – ele estourou o limite anterior!

O resto é história. Hoje, o YouTube tem mais de um bilhão de usuários. A cada minuto, o site recebe 300 horas de vídeo. E o número de horas assistidas aumenta 50% a cada ano!

Nos próximos dias, daremos uma olhada no impacto que o YouTube teve na internet ao longo destes anos.

[MashableBusiness InsiderTIME – Fast Company; foto por David Pickett/Flickr]

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